16 novembro 2016

S/Título.Óleo S/Tela. 55x46.


A pintura percorre caminhos e veredas, nas esquinas da vida, no espaço geográfico do tempo e do espaço, nos labirintos do pensamento e fantasia sulcando e desbravando emoções à revelia da razão. A dicotomia clássica do "gosto e não gosto" está inserida no cartesianismo do corpo e da mente, da razão e emoção, do compreender e não compreender, do bonito e do feio, na atracção e repulsa à luz da lupa do conhecimento adquirido. Amadeo de Souza-Cardoso foi considerado pela crítica da época, como um louco,  quando se atreveu a mostrar os seus trabalhos numa galeria de arte na cidade do Porto. O mesmo já se tinha verificado no século XIX, quando os impressionistas foram recusados no Salão de Arte de Paris. Parece que a criatividade da arte vai à frente dos cânones vigentes, da cartilha do gosto oficial, do academismo encerrado e prisioneiro de si próprio.
Será na abertura, pesquisa, ousadia, irreverência, remar contra a maré, que devemos encontrar o cimento no trilhar do homem em construção permanente.
Julio Pêgo

14 novembro 2016

Teresa de Oliveira-lança livro ilustrado por Catarina Redol, no ACMP.

Maria Teresa de Oliveira, artista plástica, pedopsiquiatra e escritora, vai lançar o seu último livro" O abeto e outras histórias recortadas", no Auto-Club Médico Português, Av. Elias Garcia 123, Lisboa, no dia 17 de Novembro 2016, às 19 horas.
Teresa de Oliveira dedica o livro aos seus pais, engenheiros silvicultores, que tinham uma casa onde também morava ao lado, um abeto. Teresa recorda precisamente essa memória da sua infância e delicia-nos com uma bela história, chamando a atenção para a importância da árvore, a vida, o amor e o respeito pela natureza.
A apresentação do livro será pelo seu amigo e colega Júlio Pêgo.
Aqui fica o CONVITE.

22 julho 2016

Antonio Inverno/Pintura. Evocação da obra e do artista.



Por gentileza do seu grande amigo e coleccionador Dr. Anibal Bento, psicoarte reproduz duas obras de António Inverno, do seu acervo particular.
Para além de Mestre de Serigrafia, António Inverno foi um pintor com uma paleta de cores vibrantes e luminosas, dos azuis, ocres aos vermelhos, que se reflectiram nas séries de tauromaquia, na utilização simbólica na geometria do quadrado, do círculo, do prumo e do nível. De certo modo interpretou e retratou o seu Alentejo, nas suas múltiplas contradições terrenas e celestiais, apropriando-se de uma linguagem esotérica, espiritual, entre o sagrado e o profano. Conviver com António Inverno foi um privilégio e um exercício constante do contraditório, do questionar, do confrontar ideias na frontalidade que lhe era característica. Com António Inverno, ou se amava ou detestava!
Até sempre querido amigo António Inverno.
Júlio Pêgo

21 julho 2016

Antonio Inverno (1944-2016)

António Inverno foi um Pintor e um Mestre de Serigrafia. Nasceu em Monsaraz e faleceu hoje em Lisboa. Serígrafo de renome, trabalhou para Pomar, Paula Rego, Vieira da Silva,Maluda, entre muitos outros artistas. O seu Atelier, na Rua da Emenda, em Lisboa, foi um local de culto entre os artistas, tendo ajudado e incentivado vários pintores de Portugal até Moçambique. Foi amigo próximo do 2º Presidente da República da Guiné-Bissau, Luis Cabral. Na Homenagem Informal a António Inverno, em Aljezur, em 2008,Luís Cabral prestou-lhe homenagem, entre as várias centenas de admiradores e amigos que aí reuniu, com organização da Câmara Municipal de Aljezur e com o alto Patrocínio do Presidente da República. Mário Soares atribuiu-lhe a condecoração da Ordem D.Henrique, no seu mandato, pelos altos serviços culturais prestados a Portugal.
No Zero Figura, exposição em sua honra em 2008, em Aljezur, figuram mais de um centena de quadros, em sua homenagem, bem como diversos textos. Júlio Pêgo participou com um quadro :"e venham mais cinco" com técnica de acrílico s/Tela e com um texto ...." António Inverno luta contra o masoquismo mental dos moralistas, assume os contrastes do prazer e do vício, na percepção, fraternidade e ajuda aos mais necessitados, num jogo lúdico terapêutico anti-soldão"... "Em António Inverno não se encontra uma felicidade tranquila, o conformismo e o politicamento correcto. Há nele sempre uma acção de desafio, de busca e irreverência, do amar ou detestar"
Piscoarte deixa aqui expresso o mais profundo pesar pela sua morte física de António Inverno, na certeza que a sua obra vai perdurar na memória de um povo do qual  emanou.

10 maio 2016

Fernando Namora- Casa Museu Condeixa



No dia 15 Abril 2016, assinalando o 97º aniversário  Fernando Namora, a Câmara Municipal de Condeixa em colaboração com  Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (de quem Namora foi cofundador), foi inaugurado na Casa-Museu Fernando Namora, um retrato a óleo, pela sua filha Arminda Namora, com a presença da Vice-Presidente da C.M. Condeixa Liliana Pimentel, da autoria de Júlio Pêgo.
O pintor fez uma breve alocução sobre a faceta artística do escritor, pintor de raiz neo-realista que também nos deixou uma obra de valor, ainda não devidamente conhecida. Para além de médico, escritor e pintor, Fernando Namora foi um intelectual de renome nacional e internacional, traduzido em várias línguas, que privou com Jorge Amado e que esteve nos bastidores para o prémio Nobel da Literatura.

25 dezembro 2015

escultura e a pintura


 
A escultura e a pintura andam de mãos dadas, às vezes..., A primeira, prefere habitar o espaço exterior e a segunda, anicha-se, aconchega-se no espaço interior da casa, ao abrigo do sol. Espreita pela janela a amiga escultura, acena-lhe com as suas cores, insinua-se, seduz e por vezes convida-a, franqueia-lhe a porta. Só põe uma condição: que seja pequena, maneira, que não roce o tecto da sala de estar. Dentro de casa podem habitar e conviver com o primo desenho, seja a carvão, grafite ou pastel. Uma tripla fraternidade narcísica, onde estendem a mão também à cerâmica, em terracota ou vidrada. Regeitam serem utilizadas para a decoração, com o "dar com os cortinados ou os sofás". Gostam de ser apreciadas na sua individualidade e olham, com desdém o "novo riquismo", os que as querem só para "mostrar estatuto social". Como vivem com a angústia de terem que andar de casa em casa, devido à compra e venda do mercado, invejam aquelas que habitam o museu, onde são mais apreciadas e respeitadas na perspectiva da imortalidade.
 
Uma nota breve: Independente da querelice eleitoral, de quem ganhou ou perdeu, mostram satisfação com a restauração do Ministério da Cultura...