16 novembro 2016

S/Título.Óleo S/Tela. 55x46.


A pintura percorre caminhos e veredas, nas esquinas da vida, no espaço geográfico do tempo e do espaço, nos labirintos do pensamento e fantasia sulcando e desbravando emoções à revelia da razão. A dicotomia clássica do "gosto e não gosto" está inserida no cartesianismo do corpo e da mente, da razão e emoção, do compreender e não compreender, do bonito e do feio, na atracção e repulsa à luz da lupa do conhecimento adquirido. Amadeo de Souza-Cardoso foi considerado pela crítica da época, como um louco,  quando se atreveu a mostrar os seus trabalhos numa galeria de arte na cidade do Porto. O mesmo já se tinha verificado no século XIX, quando os impressionistas foram recusados no Salão de Arte de Paris. Parece que a criatividade da arte vai à frente dos cânones vigentes, da cartilha do gosto oficial, do academismo encerrado e prisioneiro de si próprio.
Será na abertura, pesquisa, ousadia, irreverência, remar contra a maré, que devemos encontrar o cimento no trilhar do homem em construção permanente.
Julio Pêgo

2 comentários:

argumentonio disse...

Bela e utilíssima reflexão! Assim é talvez com toda a Arte e com o pensamento crítico em geral, num caso e noutro fonte de iluminação e condição de progresso: com mais do mesmo não se avança, estagna-se, pelo que importa muito questionar e criar ;_)))

Maria José Bernardino Marques disse...

Refletir e questionar, mais do que nunca, e necessario.
Obrigada pelo gosto de o ter como medico.